Aborto auto-induzido

Fazer um aborto auto-induzido?

Aborto auto-induzido

  • Realizar um aborto por meios "naturais ", tais como ervas ou medicamentos, é ilegal.
  • As tentativas de fazer uma cirurgia a si própria para abortar também não são permitidas.
  • Estes são métodos clandestinos com riscos e efeitos secundários graves e, por isso, perigosos. Além disso, muitas vezes não são eficazes. 

Neste artigo procuramos informá-la sobre os principais aspetos legais de um aborto clandestino e refletir sobre o que fazer quando esta parece ser uma hipótese. 

Sugestão:

 

É legal ser eu a fazer o aborto?

Quando analisamos a atual lei do aborto em Portugal, constatamos que existem algumas circunstâncias específicas nas quais este não é punível (por exemplo, se for uma gravidez até às dez semanas). No entanto, para que essas circunstâncias não sejam, de facto, puníveis, são necessários alguns pré-requisitos

  • A Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) deve ser feita por um médico, ou sob a direção deste
  • A IVG deve ser feita num estabelecimento de saúde oficial ou oficialmente reconhecido
  • A mulher grávida deverá dar o seu consentimento para a intervenção. 

Daqui se depreende que, quando estes pré-requisitos não estão todos assegurados, o aborto será considerado crime, punível com pena de prisão variável (ver artigos 140, 141 e 142 do código penal português).  Em conclusão: não, não é legal fazer um aborto sozinha, sem acompanhamento médico ou fora de um estabelecimento oficial ou oficialmente reconhecido. Daí este tipo de aborto ser também conhecido como aborto clandestino.

Nota importante: para além das questões legais, está, sobretudo, em causa a sua saúde e segurança. Fale com o seu médico.

ℹ️ Como funciona um aborto? Informação sobre os métodos.

 

Abortar com remédios caseiros

Na internet, é possível encontrar instruções diversas sobre como fazer um aborto em casa. Surgem normalmente duas alternativas: 

Aborto à base de ervas, plantas ou chás

A ingestão de certas ervas como salsa, sálvia, açafrão, artemísia, ou buchinha (planta originária do Brasil) pode não conduzir diretamente a um aborto, mas, quando em sobredosagem, podem causar contrações uterinas fortes a ponto de fazer a mulher sofrer um aborto.

Abortar com fármacos

Em Portugal, só é possível adquirir fármacos com efeito abortivo (por exemplo, Mifepristona ou Misoprostol) mediante prescrição médica: as farmácias não estão autorizadas a vendê-los por mera iniciativa do cliente. 

 

Riscos associados

Até um aborto realizado por um médico pode ter os seus riscos, devendo esta intervenção ser sempre supervisionada por um profissional de saúde. Isto confirma que tentativas feitas em casa representam um risco acrescido.  

Em muitos casos, a ingestão de plantas ou outros remédios caseiros não causam um aborto, mas conduzem a consequências físicas prejudiciais para a saúde. 

Tentativas mecânicas para fazer um aborto como introdução de instrumentos cortantes na vagina, por exemplo, têm grande probabilidade de resultar em perfurações de órgãos ou hemorragias graves

 

Grávida e preocupada

Talvez se sinta muito angustiada com a hipótese de alguém descobrir a sua gravidez e esteja, por isso, à procura de uma maneira “clandestina e discreta” para resolver o problema. Ou pode estar à procura de um método mais natural, à base de plantas, porque a intervenção médica a preocupa. Talvez só se tenha apercebido desta gravidez depois de ter passado o prazo legal para poder interrompê-la. Seja como for, provavelmente os motivos que a levam a procurar saber como fazer um aborto clandestino, não são nada fáceis ou simples. 

 

Poderá ser bom para si partilhar as suas ideias e emoções com uma pessoa exterior à sua situação, com quem possa dialogar com confidencialidade. As nossas counsellors têm experiência em acompanhar muitas mulheres em situações semelhantes e estão disponíveis para ser contactadas:

 

Outros artigos interessantes:

 

FAQ - perguntas frequentes

A tentativa de fazer um aborto a si própria pode originar consequências graves. Estes riscos fazem com que o aborto autoinduzido não seja uma prática segura para a mulher. 
Por este motivo, só é legal abortar sob supervisão médica e num estabelecimento oficial ou oficialmente reconhecido. Fora deste enquadramento, é ilegal fazer um aborto. Muitas vezes, é o desejo de não ser descoberta que motiva uma mulher a fazer um aborto a si própria. Mais do que nunca, esta poderá ser uma altura importante para escolher alguém com quem possa partilhar o que está a viver.

Provocar um aborto através de alternativas naturais como certas plantas é uma prática considerada ilegal. 
A lei pretende proteger a mulher dessa situação, devido aos riscos elevados de complicações associadas a abortos "caseiros". Nesta lógica, a lei que despenalizou a interrupção da gravidez em Portugal exige que esta prática seja feita sob supervisão médica. Quando a mulher deseja "resolver as coisas" por si própria, acaba por se encontrar numa situação de grande solidão. Existem ajudas.

Um aborto pode provocar grandes hemorragias, lesões ou aumentar o risco de infeções. Além dos riscos físicos, passar pela interrupção de uma gravidez pode ainda provocar repercussões ao nível emocional. Cada mulher passa por esta experiência de maneira única. Por isso, cada mulher tem direito a pesar cuidadosamente as suas preocupações pessoais antes de tomar uma decisão. 

Considera que a informação neste artigo foi útil?