Riscos físicos e efeitos secundários do aborto

Riscos físicos e efeitos secundários do aborto

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Dor, eventuais complicações e reações não desejadas

🛤 Será que um aborto pode ter consequências? – Teste para si

  • Do ponto de vista médico, um aborto costuma ser uma intervenção simples. Ainda assim, não deixa de ser uma interferência num processo natural do organismo.
  • Existem, por isso, vários riscos físicos e possíveis consequências, que também dependem do método da interrupção da gravidez.

“Será que um aborto pode ter consequências?” – Teste para si!

Este é um assunto que a preocupa? Se desejar, pode introduzir aqui algumas informações sobre a sua situação pessoal. De seguida irá receber uma análise de acompanhamento diretamente no seu ecrã!

Aborto: existem riscos clínicos?

Clinicamente falando, um aborto é considerado uma intervenção menor, comparativamente a outras intervenções (por exemplo, uma cirurgia abdominal).
Porém, abortar uma gravidez é uma interrupção abrupta de um acontecimento orgânico para o qual o corpo feminino está preparado. As consequências físicas podem variar bastante de mulher para mulher, em função do estado de saúde global de cada uma.
O método através do qual é realizado o aborto também tem um papel relevante: pode tratar-se de uma interrupção através de comprimidos, sucção, curetagem ou um aborto tardio.

  • Informe-se também sobre as possíveis consequências emocionais de um aborto.

Riscos e consequências de um aborto medicamentoso

Por norma, uma IVG (Interrupção Voluntária da Gravidez) feita através de comprimidos é levada a cabo com recurso ao fármaco Mifepristona combinado com outro denominado Misoprostol (que induz o trabalho de parto). Leia mais sobre este método no nosso artigo Aborto medicamentoso.

À primeira vista, abortar através de comprimidos pode parecer um processo mais suave e menos angustiante para a mulher, dado que a alternativa seria uma intervenção cirúrgica. No entanto, uma IVG medicamentosa pode ser desafiante do ponto de vista físico e envolve certos riscos:

Riscos e efeitos secundários

  • Uma IVG medicamentosa provoca uma hemorragia. Com frequência, essa hemorragia é mais forte do que a correspondente ao período menstrual normal.
  • As dores abdominais são outro efeito secundário frequente. Muitas mulheres referem que se trata de dores mais intensas do que as que experimentam durante a menstruação.
  • Um aborto medicamentoso é mais demorado do que uma intervenção cirúrgica. A hemorragia vaginal pode permanecer até doze dias depois.
  • Também podem surgir outros efeitos como dores de cabeça, náuseas ou tonturas, dado que o Misoprostol pode aumentar a tensão no sistema circulatório.

Possíveis consequências

  • A interrupção medicamentosa da gravidez é uma intervenção que afeta o equilíbrio hormonal da mulher. Dado que o corpo precisa de recuperar o seu equilíbrio natural depois do aborto, é frequente que os ciclos menstruais seguintes sejam mais irregulares.
  • Por vezes, também existem casos em que a mulher continua com resíduos da membrana mucosa no seu útero depois do aborto. Se esta situação se verificar na consulta de follow-up, é necessário fazer uma raspagem adicional, geralmente sob anestesia.

ℹ️ Um aborto por comprimidos deve sempre ser levado a cabo sob supervisão médica, num estabelecimento oficial ou oficialmente reconhecido. Na maior parte das vezes, estes requisitos permitem prevenir que surjam complicações mais graves.

Riscos de um aborto através de sucção

O método de sucção (ou aspiração) é o método de aborto cirúrgico mais popular em Portugal (ver circular normativa n.º 10/SR de 21/06/07 da Direção-Geral da Saúde). Pode ler mais informação sobre este método no nosso artigo Aborto por sucção.

De modo geral, é um procedimento que apresenta uma taxa de complicações mais reduzida do que o aborto por curetagem.
Contudo, mesmo utilizando a sucção como método, existem alguns efeitos e riscos possíveis:

Riscos e efeitos secundários

  • Dor: o útero reage à sucção com contrações semelhantes às do trabalho de parto, de modo a contrair de novo até ao seu tamanho original. Isto pode causar dores e cólicas abdominais. Trata-se de dores semelhantes ao início de uma hemorragia menstrual mais abundante.
  • A hemorragia pós-operatória pode durar até duas semanas. Geralmente não é tão abundante como numa menstruação normal, mas podem surgir perdas de sangue mais fortes que não eram expectáveis. Também existem mulheres que só começam a perder sangue a partir do terceiro ou quinto dia, mantendo pequenas manchas (spotting) durante vários dias.
  • Risco acrescido de infeção durante a hemorragia pós-operatória: após o aborto, o risco de inflamação uterina aumenta. É recomendável evitar tampões, relações sexuais, banhos de imersão, natação e saunas. Também pode surgir peritonite ou inflamação das trompas de Falópio.
  • Uma hemorragia massiva é algo bastante raro mas que pode ocorrer, se a parede do útero que se encontra sensível for danificada pelos instrumentos cirúrgicos (perfuração). Este tipo de acidente exige um tratamento de emergência; no pior cenário possível pode implicar a remoção total do útero (histerectomia).

Possíveis consequências

O risco de parto prematuro em futuras gravidezes pode aumentar se a membrana mucosa, o útero ou em especial o cólo do útero for ferido pelos instrumentos cirúrgicos, tornando-se desse modo menos resistentes (insuficiência cervical).

Riscos e consequências de um aborto através de raspagem

Uma raspagem (ou curetagem) é utilizada com menos frequência devido à maior probabilidade de complicações. Por outro lado, é um procedimento necessário com alguma frequência após um aborto medicamentoso ou por sucção, quando o tecido envolvente não foi totalmente expelido.

No caso de um aborto por raspagem, os seguintes riscos devem ser considerados, para além dos mencionados no caso de aborto por sucção:

  • Possibilidade de lesões profundas nos tecidos do útero, o que potencia sinéquias ou adesões intrauterinas (Síndrome de Asherman) e aumenta o risco de futuros abortos espontâneos.
  • Os métodos de aborto cirúrgico (sucção e curetagem) são realizados com recurso a anestesia local ou geral. Cada um destes tipos de anestesia implica riscos e efeitos secundários diferentes. Pode informar-se sobre as consequências destas anestesias no nosso artigo sobre Aborto: que tipo de anestesia?

Se o procedimento decorrer sem complicações e não originar problemas subsequentes, passado algum tempo deixa de ser possível determinar através da observação física que aquela mulher fez um aborto.

ℹ️ Os métodos de aborto cirúrgico (sucção e curetagem) são realizados com recurso a anestesia local ou geral. Cada um destes tipos de anestesia implica riscos e efeitos secundários diferentes. Pode informar-se sobre as consequências destas anestesias no nosso artigo sobre Aborto: que tipo de anestesia?

Riscos e consequências de um aborto tardio

Um aborto tardio pode implicar alguns efeitos secundários a nível físico, para além de uma maior angústia do ponto de vista emocional.

  • Dado que na maior parte dos casos é necessário induzir o trabalho de parto, a mulher também tem de passar pelas exigências físicas de um nascimento, com contrações e todas as possíveis complicações associadas a um parto.
  • Existe também um período pós-parto, que pode durar várias semanas, e durante o qual o organismo passa por alterações hormonais, deixando o estado de gravidez até recuperar o normal funcionamento do ciclo feminino. Nesta fase, entre outras implicações, é possível que surja produção de leite no organismo da mulher, o que pode implicar medicação hormonal para interromper essa produção.

Pode encontrar mais informação aqui: Abortar depois das 10 semanas

Informação e apoio no processo de tomada de decisão

Talvez esta informação a ajude um pouco mais. É possível que continue com falta de respostas para algumas perguntas, ou gostasse de conversar com um médico de modo a analisar a sua situação particular, mesmo já tendo reunido estas informações.

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