Aborto

Aborto: as 10 perguntas mais frequentes sobre a interrupção da gravidez

  • Existem diferentes métodos de aborto. Em Portugal, é possível fazer um aborto por via cirúrgica (através de sucção ou curetagem) ou medicamentosa, porém esta última só é praticada até à 9ª semana de gravidez.
  • Um aborto não tem custos financeiros para a mulher quando é realizado através do Serviço Nacional de Saúde. Se for feito sem acordo com o SNS, o mesmo custará cerca de 500 euros.
  • A vivência de um aborto é tão variada quanto o número de mulheres que o pratica, pelo que não é possível dizer que a maneira como uma mulher passa pela experiência será igual à de outra. Porém, após um aborto, podem surgir problemas físicos e emocionais.

Sugestão: ⚖️ “Aborto: sim ou não?” – Faça o Teste do Aborto

1. Até quando se pode abortar?

Em Portugal, uma mulher pode abortar por opção até às 10 semanas de gravidez, a contar da data da última menstruação. A grande maioria das Interrupções Voluntárias da Gravidez (IVG) são feitas por via medicamentosa, embora os métodos cirúrgicos sejam utilizados com frequência em estabelecimentos privados. No Brasil, o aborto não se encontra legalizado (a não ser em alguns casos excecionais). Em Espanha é possível fazer uma IVG até às 14 semanas.

2. Como é feito um aborto?

Existem três métodos diferentes para realizar uma IVG:

  • Aspiração (sucção): operação cirúrgica com recurso a anestesia. Através do método de aspiração, o embrião é sugado para fora do útero, através de uma ferramenta de sucção.
  • Raspagem (curetagem): operação cirúrgica com recurso a anestesia. Durante o processo de raspagem, o embrião é cirurgicamente raspado para fora do útero.
  • Aborto com comprimidos: a IVG medicamentosa realiza-se através da toma de comprimidos. Os fármacos abortivos são tomados pela mulher sob supervisão médica; sendo o embrião expelido mais tarde.

Informe-se sobre 10 passos importantes a ter em conta no processo de um aborto e como funciona cada método em comparação com os outros no artigo “Métodos para abortar”. No artigo “Aborto: que tipo de anestesia?” pode ficar a saber mais sobre os diferentes tipos de anestesia.

3. Quanto custa um aborto?

Em Portugal, um aborto não tem custos se for realizado através do Serviço Nacional de Saúde. Se for feito por via particular, custa cerca de 500 euros, podendo este preço variar em função das opções quanto ao método ou tipo de anestesia, por exemplo. Leia este artigo!

  • Uma interrupção da gravidez por via cirúrgica com anestesia geral pode custar mais cem euros do que se for feita com anestesia local.
  • Se a mulher que pretende fazer um aborto tiver menos de 18 anos, os custos serão os mesmos. Os regulamentos legais para o fazer, porém, podem ser diferentes.

Quer saber mais informação sobre o enquadramento legal para abortar com menos de 18 anos? Leia este artigo!

Só o preço é que conta?
Ao tomar uma decisão tão difícil, vale a pena considerar não só o valor monetário das suas opções, mas também o impacto na sua saúde e no seu coração. É recomendável não fazer com que esta decisão: "Interromper a gravidez — sim ou não?" dependa apenas do custo financeiro, o que a poderia induzir numa decisão precipitada. Pelo contrário, o tempo e o apoio podem ajudá-la a tomar uma decisão mais refletida e amadurecida.

4. Aborto: sim ou não? – Prós e contras

Muitas mulheres grávidas não têm a certeza do que fazer diante da questão “Aborto: sim ou não?”. Por norma encontram-se num conflito interior relativo à sua gravidez, sentindo-se divididas entre os argumentos a favor e contra um aborto.

Nessa situação, como chegar a uma solução viável?

  • 🕰 Acima de tudo, é recomendável dar a si própria tempo suficiente para esse processo de tomada de decisão.
  • 12 ideias para tomar uma boa decisão
  • 📋 Algo que também pode ajudar: escrever uma lista de prós e contras e pesar cada argumento.
  • ❤️ Muitas mulheres grávidas referem que, para elas, foi importante procurarem uma decisão com a qual tanto a sua cabeça como o seu coração estivessem de acordo.
  • ⚖️ O Teste do Aborto é uma boa ajuda para tomar uma decisão!

5. Quais são os riscos de um aborto?

Depois de um aborto podem existir complicações físicas, psicológicas ou emocionais.

Um aborto por via cirúrgica (aspiração ou raspagem) é uma operação com riscos relativamente baixos, porém, existentes:

  • A membrana mucosa, o útero e colo do útero podem ser danificados pelos instrumentos cirúrgicos, o que pode aumentar o risco de aborto espontâneo em futuras gravidezes.
  • A anestesia pode trazer riscos de problemas cardiovasculares.

No caso do aborto medicamentoso, é possível que ocorra uma hemorragia mais prolongada e dores abdominais, mesmo depois da expulsão do embrião.

Além das consequências a nível físico, para algumas mulheres este processo representa um risco de sofrimento psicológico: existem mulheres que se sentem aliviadas depois de fazerem um aborto; outras, porém, descrevem sentimentos de dor ou tristeza, que podem surgir imediatamente após a IVG ou, então, muito tempo depois.

6. Em que circunstâncias é permitido abortar até mais tarde?

Em Portugal, depois das dez semanas, só é possível abortar por motivos excecionais.

Esses motivos excecionais contemplam os casos de violação, malformação do feto ou perigo para a mulher.

Como funciona um aborto tardio? Se o feto ainda não tiver idade suficiente para sobreviver fora do útero, o aborto é feito por via cirúrgica ou, em alguns casos mais tardios, é induzido o trabalho de parto e o feto acaba por morrer durante esse processo. Nos casos – mais raros — em que a interrupção da gravidez pode ser feita até ao fim do tempo de gestação e há suspeita de que o feto possa sobreviver depois do parto, é administrada uma injeção de cloreto de potássio no útero que conduz à paragem cardíaca do feto. Depois disso, inicia-se o trabalho de parto.

7. Quais as razões mais comuns para fazer um aborto?

As razões que levam uma mulher grávida a pensar em abortar são tão particulares quanto a situação que vive.

Apesar disso, a maioria das mulheres que considera abortar encontra-se numa das seguintes quatro situações:

  1. “Ele não quer a criança”: muitas mulheres grávidas partilham que estão a pensar abortar porque o namorado, ou marido, não concorda que ela prossiga com a sua gravidez. Ele não quer a criança? Leia as nossas informações e sugestões.
  2. "A relação com o companheiro é instável": a relação ainda é muito recente, ou problemática, ou distante, ou a gravidez é fruto de um caso extraconjugal. A sua relação é instável? Veja aqui as nossas informações e ideias práticas.
  3. “Preciso de estar disponível para os meus outros filhos”: muitas mulheres grávidas também ponderam abortar porque já são mães e querem ter disponibilidade para os filhos que já nasceram. Já é mãe, e sente-se sobrecarregada? Informe-se e veja as nossas ideias para si.
  4. “Na verdade, eu tinha outros planos”: algumas mulheres grávidas também pensam em fazer um aborto porque querem viver as suas vidas de acordo com aquilo que tinham planeado; e creem que a gravidez vai frustrar esses planos. A sua gravidez surgiu na altura errada? Leia a informação e sugestões que temos para si.

Informe-se sobre as 4 razões mais comuns que levam as mulheres a pensar em abortar!

8. Relativamente ao aborto, como foram as experiências de outras mulheres?

Este é um assunto que preocupa algumas mulheres que se deparam com a dúvida: “Abortar – sim ou não?“. Neste processo de tomada de decisão, pode ser útil informar-se sobre diferentes experiências de mulheres que viveram o mesmo. Contudo, a experiência de um aborto é tão variada quanto o número de mulheres que o pratica, pelo que não é possível dizer que a maneira como determinada mulher passa pela experiência será igual à de outra.

9. Com que frequência são feitos abortos?

O relatório mais recente sobre este assunto, disponibilizado pela Direção-Geral da Saúde, utiliza dados relativos a 2018 e indica que, nesse ano, foram realizadas 14.928 interrupções da gravidez em Portugal. Em 95,8% destes casos, esta interrupção foi feita por opção da mulher, até às dez semanas de gravidez. O segundo motivo mais comum, que representa 3,5% dos casos, foi a grave doença ou malformação congénita da criança.

10. Sente-se preocupada e sem saber o que fazer?

Temos todo o gosto em apoiá-la com os nossos serviços de acompanhamento! Você merece toda a ajuda e apoio! 💚

Considera que a informação neste artigo foi útil?